





















Brasil, país do futebol???
Só porque os meios de comunicação querem... Eu é que não compro esta! Para mim, o Brasil é o pais da vela e de outros esportes praticamente ignorados pela midia.
O melhor é seguir o exemplo do Iatismo: Signed, Sealed, Delivered!
Assinado, selado e entregue!
Aha, entregar!
Eu adoro entregar e também quem entrega com qualidade! Nada mais gratificante para quem entrega e para quem recebe. Ao entregar, nós fazemos jus à confiança em nós depositada. nos legitima em nossas posições e cargos, e também justifica os nossos salários.
Que este "Assinado, Selado, Entregue" sirva de inspiração para os nossos jogadores de futebol, cartolas, políticos de todas as vertentes e alguns profissionais, experts em sobrevivência no mundo corporativo, que só ficam jogando para a torcida e fazendo cera, sem produzir nada.
Hoje tivemos mais um jogo de futebol em que a selação brasileira - a internacional, a galática, a universal e quem sabe a multi-dimensional seleção brasileira, como incansavelmente exaltada na TV e jornais - mostrou seu real potencial (ou falta dele), quando teve uma dificuldade enorme para ganhar do Egito pela magríssima diferença de um golzinho. Pessoal, vamos acordar, as seleções vencedoras de 1970 e 1982, que faziam os adversários tremerem (até certo ponto, pois a de 82 não chegou lá) são coisa do passado. Não dá para continuar vivendo de glórias passadas.
A apatia em campo dos jogadores multimilionários é uma coisa quase desprezível. Só não é mais desprezível do que aquelas cenas ridículas de confraternização com os jogadores de outras seleções, antes, durante e depois dos jogos. Tudo bem, que são todos "profissionais" e jogam nos mesmos clubes, mas basta um aperto de mão, para mostrar que estão ali para fazer o seu papel e lutar pela vitória de seu time.
E por falar em vitória, vamos ao que interessa - Assinado, Selado, Entregue!
Enquanto o Brasil suava (quem não tem inspiração tem que ter muita transpiração) para ganhar de 4x3, com um gol de penalti aos 45' do segundo tempo, da "fortíssima e tradicionalíssima" seleção do Egito, uma outra equipe de brasileiros, comadada por Torben "Turbina" Grael, que a mídia praticamente ignora, estava consolidando sua vitória antecipada numa das competições mais tradicionais, duras e disputadas que exitem, a edição 2008-2009 da regata Volvo Ocean Race (http://www.volvooceanrace.com), ex-Whitbread Round The World Race.
Ao chegar em terceiro lugar em Estocolmo, Suécia, e tornar-se campeão da regata de volta ao mundo com duas etapas de antecipação, Torben Grael, o maior medalhista olímpico do Brasil, consolidou de vez seu assento na lista dos maiores velejadores do mundo em todos os tempos. Ele comandou à vitória o barco sueco Ericsson 4, tendo como tripulantes mais dois brasileiros, o João "Joca" Signorini, e o Horácio Carabelli (uruguaio convertido e naturalizado brasileiro, que é o melhor faz-tudo do iatismo mundial) e 7 competentes "gringos" (neo-zelandeses, ingleses e australianos), na equipe chamada de internacional pelos patrocinadores do barco, a Ericsson. O outro barco da equipe, o Ericsson 3, que ainda luta pelo quarto lugar na competição, é o time da casa dos patrocinadores (do barco e da regata), pois tem uma tripulação inteiramente nórdica.
A TV Globo, nas raras menções à esta regata, como nos 20 segundos de ontem a noite ao final do Jornal Nacional ao noticiar a vitória brasileira, insiste em chamar os barcos de "Suécia 4" e "Suécia 3". O mesmo fazendo com os barcos Telefonica Negro e Telefonica Azul, que são chamados de "Espanha Negro" e "Espanha Azul", o barco Puma é chamado de "Estados Unidos" e o Delta Lloyd é chamado de "Holanda". É o mercantilismo extremado. Em qualquer outra rede de televisão do mundo, os nomes usados são os reais, dando o devido retorno aos patrocinadores. Ah, antes que eu me esqueça, lá na Plim-Plim, a Volvo Ocean Race é só Regata de Volta ao Mundo!
Vamos voltar à vitória do nosso viking fluminense - que na verdade é paulista e vem de uma familia nórdica, que veio para o Brasil há 3 gerações e trouxe o gosto pela vela para Niteroi. Nas 22 oportunidades de marcação de pontos até o momento (faltam 2) marcaram 18 nas 3 primeiras posições, com 10 primeiros. Até agora eles ganharam: 5 das 9 pernas oceânicas, 2 das 6 regatas locais (in-port races) e passaram em primeiro em 3 dos 7 portões de pontuação. Com estes resultados fica garantido matematicamente o título, ainda faltando uma regata local e uma perna oceânica, que vai de Estocolmo para São Petersburgo, na Rússia.
Além de ganharem de forma arrebatadora a competição, de quebra, na primeira perna, que saiu de Alicante, na Espanha, para a Cidade do Cabo, na África do Sul, a equipe do Ericsson 4 bateu o recorde mundial de distância velejada em 24 hs por um veleiro monocasco. O recorde foi quebrado por eles umas 4 ou 5 vezes consecutivas, ficando na impressionante marca de 594,23 milhas náuticas - 1.101 km - percorridas em 24 horas, chegando muito próximos da mítica marca de 600 milhas por dia.
O Torben Grael não é só o maior iatista brasileiro, , mas é o velejador com maior número de medalhas em olimpíadas, com 5 (2 de ouro, 1 de prata e 2 de bronze). Até hoje só ele ganhou 5 medalhas, mas a coroa, como próprio Torben não se cansa de dizer, é do seu ídolo, o dinamarques Paul Elvstrom, que ganhou 4 medalhas de ouro. Ele, Torben, também tem 6 títulos mundiais em diversas classes e 1 título Pan-Americano.
Mas para não pensar que a vela brasileira é só o Torben Grael, nas últimas 6 semanas tivemos mais dois campeonatos importantíssimo:
O também campeoníssimo Robert Scheidt "El Demolidor", dono de 4 medalhas olímpicas (2 de ouro na classe Laser, e 2 de prata, uma de Laser e a outra na Star), é o maior vencedor do mundo na classe Laser, com oito campeonatos mundiais, tendo também um campeonato mundial de Star. Ele, juntamente com Bruno Prada, no mês passado foi campeão de Star na Semana Pré-Olímpica de Vela de Medemblik, na Holanda, matendo a liderança no ranking mundial da classe. As semanas pré-olimpicas, juntamente com outros campeonatos, funcionam como um torneio anual mundial da ISAF (a FIFA do Iatismo) para se identificar o melhor em cada classe, muito parecido com o formato da disputa no tênis.
Outro craque vencedor é o Maurcio Santa Cruz, o "Santinha", 4 vezes campeão mundial e também campeão Pan-Americano. O tri-campeonato mundial da classe J-24 foi conquistado em Anápolis nos EUA em Maio. O outro título mundial do Santinha é na classe Snipe.
Voltando um pouquinho mais, para Abril, o Henrique Haddad, o "Gigante", jovem velejador brasileiro, conquistou em Porto Alegre, o vice-campeonato da Copa das Nações, que é a copa do mundo para equipes de vela, disputado com barcos J-24, na modalidade match-race, ou seja, as equipes de cada pais se enfrentam em disputas diretas em melhor de 5, até que todas tenham se enfrentado, para decidir os participantes dos match-races finais. A Nations Cup foi realizada no Veleiros do Sul, clube que tenho a honra de ser sócio e onde mantenho meu barco. Esta Nations Cup deu o bi-campeonato para as equipes francesas, que venceram tanto no masculino (3x2 de virada no time brasileiro), como no feminino, categoria em que a equipe brasileira, que é ainda mais jovem do que o time de Herique Haddad ficou com com a sexta posição. Esta disputa eu vi ao vivo e a cores e posso dizer que foi emocionante, pois o Herique Haddad fez 2x0 nos franceses, mas depois não resitiu à maior experiência do time francês.
Num próximo post eu falo mais das conquistas da vela brasileira.
Enquanto isto, no futebol e na política, e com alguns ditos "profissionais", a situação é a mesma de sempre, muita alegoria e pouco enredo...
Leia mais sobre a vitória da equipe de Torben Grael no site da Volvo Ocean Race, na matéria Signed, Sealed, Delivered (http://www.volvooceanrace.org/news/article/2009/June/16-STOCKHOLM-E4/).