segunda-feira, 25 de maio de 2009

Bolsa Família para o mundo?





Nos últimos dois meses eu estudei e acompanhei tudo que pude sobre o Banco mundial, pois tinha um grande interesse numa vaga que estava aberta lá no headquarters do banco. Como já sei que eu posso tirar o meu cavalinho da chuva (talvez isto venha a ser assunto para um outro post) compartilho com vocês um assunto surpreendente, no mínimo intrigante.

PS - o comunicado oficial com o nome da nova CIO do banco Mundial só sai em Julho. Mantendo a tradição de diversificação, a nova CIO será uma mulher, só não sei ainda de que país ela vem.

Pelo jeito existem muitos brasileiros, que como eu, estão de olho em posições chave no Banco Mundial, em Washington DC, bem pertinho de Mr. Obama e seu time. O olhar que me surpreende e intriga, sai diretamente do centro do Planalto Central, sem escalas, para Washington, DC.

"Maybe the politics behind the World Bank presidency won’t stay local for long…
Thu, 05/14/2009 - 5:35pm

Retirado de:
http://rothkopf.foreignpolicy.com/posts/2009/05/14/maybe_the_politics_behind_the_world_bank_presidency_wont_stay_local_for_long

Some in the U.S. government are contemplating embracing a policy change that may result in the next president of the World Bank being the first not to be from the United States. As a consequence, Brazil's President Lula might be on the verge of scoring an important electoral victory this week...on the other side of the planet, in the world's biggest exercise in democracy, the Indian parliamentary elections. Ah, globalization. Maybe in the flat world all politics aren't exactly local.

You see, Lula, is looking for his next big challenge. According to those close to him, he would like something on the international stage, not surprising given the enormous good will and international support he has built up during his two very successful terms of office in Brasilia. Given the former labor leader's interest in social issues, particularly the plight of the world's poorest, those close to Lula say his ideal job would be doing something that can meaningfully help the disadvantaged in Africa and other hard-hit regions.

The perfect opportunity may be right here in Washington, D.C. Because a job like that of head of the World Bank ideally fills the bill for Lula. What's more, although this position has traditionally gone to a U.S. citizen, there is increasing pressure from emerging powers like the BRICs (Brazil, Russia, India and China) to change the allocation of top jobs at international financial institutions to better reflect what is expected to be a growing role for them in the ownership structure of the IMF and the development banks as well as in the leadership of the international community more broadly. The World Bank presidency would be one of the most visible such posts and although it has been jealously guarded as a plum to be handed out by American presidents since the bank's founding, I am told there is now growing support within the U.S. Department of the Treasury to let the post go to someone who is not from the United States.

While push back could come from the U.S. Congress on this if they feel it is too much to be asked to provide more money to institutions like the World Bank and to simultaneously give up prerogatives, Lula even has some special advantages there. Because the leadership in the U.S. Congress at the moment is very sensitive to the views of the U.S. labor community and Lula, because of his background, has long-standing very close ties to AFL-CIO President John Sweeney among others.

The Indian elections are relevant because one of the other emerging powers that will certainly be seeking visible evidence of their new position in the global pecking order is India. As it happens, they are also home to one of the men who would certainly be seen as one of the very best possible candidates for the bank job should it be opened to international candidates, Manmohan Singh. Singh is a globally respected economist, highly thought of throughout the international financial community since his days as India's Finance Minister.

The problem for Singh's candidacy is that he already has a job. He is prime minister of India. And now it looks as those his ruling coalition may eke out a victory in the current round of Indian elections. If that's so, he may stay in his current job for another five years. And if he does, then Lula's shot at the World Bank job may improve.

Certainly, it's early days yet. The change in U.S. and bank policy is far from official and faces hurdles being implemented. And were it to change many candidates are sure to emerge. And of course, Lula has to formally express his interest in the job. But months ahead of such questions arising, the puzzle pieces are shifting and this week's developments raise, at least a little, the possibility that Bob Zoellick's successor at the World Bank may well be a very different kind of American than has occupied it in the past, a South American. And in my view that, or a selection in the same spirit of including new powers at the top of these institutions, would be a very positive step forward."

Em política tudo é possível...

Será que estamos chegando na era do PAC Global e do Bolsa Família para o mundo?

Fotos:

1- Fim de tarde de Julho de 2001 em Washington
2- Joedson Alves/AFP/Getty Images

Com a colaboração do meu amigo Justin Ayres, da TI do FMI

sábado, 23 de maio de 2009

Após o cargo de CxO



Este post ficou transitando entre edição e rascunho por várias semanas. Mas depois de várias reuniões na DBM, resolvi publicá-lo porque percebí que o assunto é frequentemente discutido.

Faz algumas semanas que vi no Linkedin um tópico colocado para discussão por um prestador de serviços, mencionando uma grande transformação observada nos ex-CEO/COO/CFO/CIO/CTO/CSO/etc., e que imediamente após perderem o cargo, passavam a ser altamente acessíveis, ligando para os outros, tendo disponibilidade para almoçar, tomara café, etc, ao passo que eram quase inacessíveis enquanto estavam em suas antigas posições, com secretárias que funcionavam quase como firewalls intrasponíveis.

Como eu sempre acho que exisem dois lados de uma mesma moeda, é importante também mencionar, que é notável que aquelas pessoas que ligavam sem cessar, e que muitas vezes paravam na secretária, desaparecem como que por encanto com suas ofertas, pedidos de visita, convites para atividades das mais variadas naturezas, pedidos de referência para outras empresas, etc.

Para entender um pouco melhor, devemos revisitar algumas verdades imutáveis da vida, seja corporativa ou pessoal:

  • Todos estão trabalhando para obter o melhor resultado para suas empresas, baseados na cultura, valores e planos que norteiam as ações das mesmas.
  • Todos trabalham norteados por suas próprias crenças, valores e, principalmente, caráter, visando obter os melhores desempenhos nas suas empresas.
  • O dia só tem 24 hs, portanto as 8, 10, 12, 14 ou 16 hs de trabalho requerem foco.
  • No mundo empresarial existe um constante processo de trocas, de várias naturezas: serviços X cumprimento de metas e objetivos de compradores, viabilizando bônus anuais; compras X cumprimento de cotas que levam vendedores ao Havai ou a outros prêmios e comissões; abertura de portas para dar referências ou fazer benchmark X a troca de experiências ou futuras visitas de benchmark; conversas, almoços, jantares, congressos e outros eventos X abertura de portas para futuras oportunidades ou concretização das atuais; favores X favores, como ocorre nos casos mais obtusos e esquisitos que vemos por ai; e assim por diante.
  • Só é possível colher o que se plantou.
  • A roda da fortuna não para de girar, não importa a velocidade, mas uma hora está em cima, outra hora está embaixo.
  • Graças a Deus existem exceções para esta visão estritamente de interesses! Não importa o momento ou quantas pessoas você tem nos seus contatos ou na suas redes do Linkedin e Plaxo. Existem aquelas 5, 10 ou 15 pessoas, com os quais você trabalhou, fez negócios, estudou, conheceu no congresso, etc. e que por razões quase desconhecidas, existe uma admiração mútua e respeito, e acabam por tornar-se amigos, uma daquelas pessoas que você pode ligar até no meio da noite para pedir ajuda, desabafar, ou para conversar. Estas pessoas e você estarão sempre com as portas abertas uns para os outros. O contato com estas pessoas nem sempre é frequente, mas sempre existe, e naquele período de "férias por conta própria" um lembra do outro ao fazer uma indicação para uma posição, se ligam para saber como andam as coisas e se preocupam um com os outros. Se você ainda não fez, identifique quem são os seus 5, 10, ou 15 amigos, e fale com eles, só não vale incluir na lista pais, irmãos e parentes próximos.
Alguém comentou comigo outro dia, que por parte do ex-CxO, isto pode ser choradeira, pois o indivíduo perdeu o poder, deixou de ser o foco das atenções. Talvez aconteça, mas não creio que seja a regra.

É certo que este assunto não é simples e existem várias outras perspectivas, razões, explicações e justificativas. Seria muito interessante ter a opinião de vocês que tem a paciência de ler o que eu escrevo aqui. Por favor comentem!

Fotos (clique para ver em tamanho grande):

Os dias do mês de Maio, assim como dos outros meses de Outono (e algumas vezes os da Primavera) tem uma luminosidade toda especial, trazendo oportunidades únicas para tirar fotografias com cores, sombras e reflexos inigualáveis.

1 - Amanhecer de um dia de Maio de 2008 com neblina em Porto Alegre.

2 - Fim de tarde em Maio de 2006, às margens do Guaíba em Porto Alegre, foto do farol do Veleiros do Sul e do meu antigo barco, tirada por minha esposa Maria Emilia

quinta-feira, 14 de maio de 2009

NY, NY - Museus, Ninjas e Samurais












Depois de umas reuniões que tive por aqui, começamos realmente as férias. Parece até que viemos para a maratona de NY, é tanta coisa e gente para ver, lugares para ir, que montamos uma lista de locais interessantes. Parece que tudo se encaixou nesta lista, pois quando moramos aqui, o Gustavo e o Gabriel eram pequenos e não se lembram muito das coisa, e querem rever tudo. Mas a memória é uma coisa prodigiosa, é só começar a estimular que tudo volta, e no caso deles, vem com detalhes que nem sonhamos.

Até agora foi mais ou menos assim:
- um dia inteiro no American Museum of National History (com direito ao filme Cosmic Colisions no planetário). Apesar do estímulo dado pelo filme Uma Noite no Museu, o AMNH precisa de uma revitalização em várias partes, principalmente nas exibições de história natural, onde tudo parece envelhecido, o que na era digital tem um efeito negativo nos vitantes..
- Metropolitan Museum, também um dia interio. O MET é para nós o melhor de todos, com uma variedade de temas e um prédio muito bonito. Por curiosidade, o MET é um dos poucos museus nos EUA, cujo prédio foi construído para ser um museu, do resto, a maioria é reaproveitamento de construções que foram usadas em outras atividades;
- A manhã inteira de passeio no ônibus de dois andares por Up-town e Harlen, este circuito sem descer do ônibus, a não ser quando desembarcamos no Central Park, para ir à fantástica loja de brinquedos Fao Schwarz e almoçar na rua 57, em um restaurante japonês bastante descente
- A tarde inteira no tour de ônibus de dois andares por down-town, com parada no Ground Zero (que energia estranha naquele pedaço) e caminhada magnífica de fim de tarde pelo Battery Park, até chegar em Wall Street. A parte perto do Museum of Jewish Heritage está cada vez mais lindo, com esplendidos decks e observatórios para a Estátua da Liberdade, NJ e Verrazano-Narrows Bridge., fora o design do prédio do museu, que dá um charme adicional àquela ponta de parque.
- Na 2a Feira O Fantasma da Ópera com os 3 filhos, eles não desgrudaram os olhos do palco, não estou certo se foi por conta do jantar que tivemos no Alfredo di Roma (em NY), saboreando o soberbo Fetuccine Alfredo antes da peça, mas acredito que foi por causa do sensacional espetáculo com música envolvente, que se não fossem tão bom, não estaria em cartaz desde 1986, em vários lugares do mundo com sessões lotadas. Vale a pena também, assitir o filme, que tem um elenco inesperado: Gerard Buttler como o Fantasma, cantando com um mix de ópera e rock and roll; Emmy Rossum com 16 anos, como a quase-inocente Christine; Patrick Wilson como Raoul, vindo de musicais em teatro; Miranda Richardson como Madame Giry, que sabe a história do Fantasma; e Minnie Driver, como a temperamental diva italiana La Carlotta.
- Tivemos uma tarde de caça ao Nintendo DSi, quando descobri que pagando com cartão de crédito, cada pessoa só pode levar 1 game, a menos que pague em cash ou use múltiplos CCs, como eu fiz para comprar um para cada filho;
- uma tarde para subir no Empire State e dar uma explorada nos 6 andares do Macy's que fica bem em frente
- almoços e jantares no Alfredo, no Smith & Wollensky (aquele mencionado no filme O Diabo Veste Prada); no Joe's em Short Hills, que tem o melhor clam chowder fora de San Francisco; no The Store, restaurante familiar de Basking Ridge, com comida saborosa e preço mais que acessível (o que se destaca neste restaurante, fora a comida, é o porão, que pode ser visto através de janelas no chão do salão principal. Lá os donos fazem decorações especiais para as datas marcantes, e para cada estação do ano. Agora esta florido como a primavera de NJ). Fora as refeições menos elaboradas no Johnny Rockets e Applebee's.

Passamos oficialmente de 2/3 das férias, e não conseguimos fazer tudo que foi planejado. Acho que vai sobrar o Bronx Zoo e o passeio de bicicleta pelo Central Park se o tempo não ajudar, senão, é capaz de sobrar o Liberty Science Center. Se o LSC sobrar, vamos ter um pequeno motim criado pelo Gustavo, que faz 12 anos no Sábado e quer ir lá, e depois jantar no Ninja. Este restaurante japonês, que fica em TriBeCa, reconstroi um castelo ninja, com garçons que, dizem, aparecem e desaparecem como os ninjas dos filmes que ele tanto gosta. Vale a pena ver o site deles (www.ninjanewyork.com).

Recentemente o Gustavo assistiu comigo e adorou, o filme O Último Samurai, que tem um visual estupendo, e só uma breve aparição dos ninjas, que são surpreendentemente derrotados pelos samurais, e pelo Tom Cruise... O filme é uma adaptação livre de fatos reais (rebelião Satsuma de 1877, a relativamente distante Guerra Boshin de 1868, e no capitão francês Jules Brunet), mas que puxa descaradamente para os americanos (como frquentemente acontece) o papel de principal ocidentalizador do Japão, papel que na verdade foi exercido pelo Reuno Unido, Holanda e França, no século 18. Por sinal, as armas de fogo eram usadas no Japão bem antes de serem usadas no ocidente, mas no começo do século 18 caíram em desgraça por serem consideradas como armas sem honra.

Agora vou me preparar para um dia inteiro entre o Guggenheim, Central Park e MoMa.

Fotos:
- NY - propaganda (DKNY) em parede de prédio na 5a Avenida (vista pré 11/07, pois ainda contém as Torres Gêmeas)
- Gárgolas do Chrysler Building em formato de águias (existem outros em um andar mais baixo, num formato que parece o capacete de Mercúrio, aquele com as asas do lado, ou do deus nórdico Thor, que tinha umas asas mais longas no capacete)
- Chrysler Building ao anoitecer - na minha opinião, o mais bonito de todos
- Empire State Building
- Deck do Battery Park, com o Museum of Jewish Heritage, em formato de pirâmide, ao fundo
- Giuliano no Battery Park Marina, com o complexo do World trade Center ao fundo. As torres gêmeas ficavam logo a direita daquele prédio de vidro em formato de arco.

(Clique nas fotos para ver no tamanho original)

NY, NY - Pés, Carros e Orçamento





Finalmente na 4a Feira o tempo resolveu ser camarada e tivemos um ceu brilhante a tarde e noite toda. Não quero dizer que os outros dias foram ruins, pois foram todos sem chuva, fora o dia em que chegamos, com temperatura entre 8 e 21 graus. O que eu chamo de clima civilizado, tanto para quem está andando pela cidade, como para quem tem que colocar um terno para ir trabalhar.

Por falar em "ir", é curioso, pois NY parece ser a única cidade dos EUA em que o principal meio de tranporte são os pés. Não me lembro de nenhum outro lugar por aqui, onde não se pegue um carro, um taxi, o metro ou bonde para ir de um lugar ao outro, com o carro ganhando disparado na preferência dos americanos, até parece que, anatomicamente falando, o povo americano tem cabeça, tronco e rodas... Realmente, este hábito criado pela necessidade, também contribui para fazer de NY uma cidade bastante peculiar.

Só para confirmar que o carro ganha disparado dos outros meios de transporte vai ai uma observação in-loco. Hoje quando voltávamos de Manhattan para Basking Ridge, vindo pela US-78 por volta das 22hs, ficamos quase uma hora em um engarrafamento causado por uma gigantesca obra de conservação da estrada pós estragos de inverno, em que 3 pistas se condensavam em uma. O engarrafamento foi de umas 4 milhas, e todos os carros que cruzaram por nós, tinham invariavelmente só o motorista. Apesar de todo o stress gerado, só 2 carros passaram pelo acostamento, todos os outros esperavam, e davam a vez, para que todos se juntassem numa fila indiana até o fim do trecho em obras.

Chamei a obra de gigantesca, não por sua grandiosidade ou complexidade, mas por alguns fatores como: trabalho somente noturno (foi a 3a noite que vimos o processo, mas só hoje teve engarrafamento) com holofotes que fazem a noite virar dia; dezenas de máquinas pesadas trabalhando simultaneamente; todas as, poucas, pessoas fora dos veículos de uniforme completo e limpo, já que poucos precisam por a mão na massa, pois o trabalho pesado é feito pelo máquinário; e pelo que mais me impressionou, 13 milhas de cones laranja, inpecavelmente limpos, isolando os dois sentidos da pista, ou seja 26 milhas de cones, sem nenhum improviso com balde vermelho, com uma lampada incandescente dentro, pendurados por fios elétricos de uso doméstico passando por um furo no fundo.

Isto sem falar nas dezenas de placas dando conta do orçamento e da origem dos recursos. Enquanto isto, lá pelas bandas do planalto central, continuamos pagando, entre outras coisas, por despesas de celular e viagens pessoais, incluindo aquelas passgens aéreas que eram depois revendidas, como forma de aumentar os "parcos caraminguás" dos nobres parlamentares...

Fotos:
- Taxis e pedestres na 5a Avenida, tirada do segundo andar do ônibus mais turístico de NY, aqueles azuis ou vermelhos de 2 andares (que raramente tem o 1o andar, pois todo mundo quer ficar lá em cima, onde a vista vale a apena os US$ 45 por cabeça (vale por 48 hs)
- Só dá taxy, os famosos Yellow Cabs, no tráfego da 5a Avenida, visto de cima do Empire State building
- Fila de Yellow Cabs na porta do Macy's, vista de cima do Empire State Building
- Bryant Park cheio de gente no almoço e American Radiator Co Building, vistos do Empire State Building
Todas tiradas em dias nublados ou quando ainda tinha bastante névoa no ar

sábado, 9 de maio de 2009

Como tudo é caro!




Começaram nossas férias na região de NY/NJ. Como o tempo não estava nenhuma maravilha, decidimos ficar só pelos lados de Basking Ridge, Bridgewater e Bedminster, região onde moramos por 4 anos. Quando paramos para almoçar e comprar umas pequenas besteiras, voltou ao nosso repertório de conversas um velho assunto: como as coisas são caras ai no Brasil, ainda mais quando e levamos em conta o poder aqusitivo das pessoas.


De repente estamos fazendo (falando) listas de coisas que são mais caras no Brasil do que nos EUA, num esforço vão de encontrar muitas coisas mais caras nos EUA do que no Brasil.


A experiência que temos de viver por aqui nos mostrou que quase tudo é mais barato nos EUA, passando por aquilo que chama atenção dos homens, como: automóveis, gasolina, eletrônicos, passagens aéreas, artigos esportivos, barcos, camisas, livros, ferramentas, revistas especializadas, vídeo games, internet, telefonia, acesso a cultura em geral, video games, etc, e pelo que é atraente para as mulheres, como: casas e apartamentos, eletrodomésticos, utensílios domésticos, cosméticos, supermercado em geral, roupas infanto-juvenis, perfumes, artigos de moda de griffe mundiais, etc.


Já a lista de coisas que são mais baratas no Brasil é bem menor: escolas particulares, saúde (por isto planos de saúde são mandatórios nos EUA), salão de beleza, moveis (há controvérsias sobre este item) e serviços domésticos (empregada, jardineiro, encanador, etc.). A partir dai não conseguimos encontrar mais nada significativo para colocar nesta lista.


Porque será que tudo é tão caro para os brasileiros? Tirando o tamanho do mercado americano, que cria outra economia de escala, e sem querer ser simplista, acho que é porque temos que sustentar uma máquina estatal gigantesca, que ficou faminta por recursos (dinheiro) não só para ela, mas para todo um perverso universo que gravita em torno dela (filhos, afilhados, família, amantes, comparsas, cumpadres e todo tipo de parasita existente). E quem paga a conta somos nós, duplamente, através dos impostos abusivos que comem uma parte significativa de nossos ganhos, e através dos preços também abusivos. Esta combinação leva o nosso poder aquisitivo cada vez mais para baixo, e a nossa economia cada vez mais socialmente seletiva.


Bem e o que tudo isto tem a ver com a foto da terra, como deve ter sido vista pelo Yuri Gagarin pela primeira vez lá pelos idos de 1961? É porque eu não acho nenhum absurdo os US$ 200 mil que o nosso Rubens Barrichello irá pagar por um vôo ao espaço ao lado do estelar Nick Lauda, em vôo da Virgin Airlines, que um dia não duvido, deverá ser a primeira a se tornar StelarLines, pois o seu dono, o Richard Branson é um aventureiro e empresário que parece ter o toque de Midas (que cada vez me convenço mais que é fruto de mentes brilhantes).


Já tem um monte de piadas por aí sobre a ida do Rubinho ao espaço, mas eu acho que é pura inveja, porque ele está na F1 faz tempo, pilotou pela Ferrari, tem dois vice-campeonatos mundias e é um dos brasileiros que já andaram mais rápido no mundo, pelo menos sobre rodas.


O Barrichello com com esta ida ao espaço vai conseguir manter o status de ser um dos brasileiros que mais rápido andou no planeta, e fora dele também. Talvez só perdendo para o Marcos Pontes, o primeiro astronauta brasileiro, que aparece na outra foto em um dia que fui tiete, e falei para ele que precisava tirar aquela foto pois eu sou de uma geração em que 9 entre 10 garotos queria ser astronauta.


Esta geração pode ter sonhado em ser astronauta, mas com certeza nunca sonhou em pagar os impostos e preços astronômicos que pagamos por tudo!


Fotos:

-As duas primeiras são da internet. Queria colocar uam foto de NY que eu tivesse tirado, mas o tempo hoje não ajudou em nada, esta é de Manhatan ao entardecer, vista de Jersey City. A segunda nunca tive oportunidade de tirar. Quem sabe um dia? Por enquanto fico admirando e invejando o Barrichello que irá até lá.

- A com o Marcos Pontes foi tirado com o meu celular no dia seguinte a uma cerimônia em que ele foi receber uma comenda (é, ele é comendador) e eu estave lá para receber em nome do presidente da empresa em que eu trabalhava. Foi uma das cerimônias mais curiosas de que já participei, um dia talvez fale mais sobre ela.

domingo, 3 de maio de 2009

Jack o Stripador e a Gripe Suína






Na última semana a Gripe Suína, que eu continuo chamando assim porque Gripe A não tem graça nenhuma, atazanou todas as conversas com minha família por dois motivos:
1- minha irmã está em Cancún com a família faz uma semana e não conseguiu ver nada de anormal na cidade e nos mexicanos. Continua aproveitando a viagem muito bem!
2- eu tenho viagem para NY com todos de casa no dia 07/05, e nunca achei que a gripe era motivo para desmarcar.

Como todos morrem de medo de morrer, ou de ver uma pessoa querida morrer por causa de uma doença desconhecida, e ainda por cima de uma epidemia vinda do México, é normal as pessoas se preocuparem e o assunto não sai da cabeça delas.

Eu sempre tive tive minhas dúvidas sobre a gravidade desta gripe, por conta de uma pergunta que todos os preocupados não conseguiam responder, muito menos os jornais e telejornais: por que uma epidemia tão perigosa e alarmante matou tão pouca gente, e ainda assim, a maioria delas em zonas rurais ou paupérrimas do Mexico?

Como eu nunca tive uma resposta, eu sempre retrucava: Parem de assitir aos telejornais, senão vocês vão elouquecer e não vão mais querer sair de casa! Notícia boa não dá IBOPE...

... em compensação, uma ameaça de epidemia dá pano para manga em qualquer telejornal, e páginas e páginas em jornais e revistas. Na 4a passada eu tive a pachorra de monitorar o Jornal da Tarde: 48 minutos no total, incluindo os anúncios. Foram 41 minutos de más notícias (Com a Gripe Suína fazendo as honras da casa), 3 minutos falando do Ronaldo Fenômeno (podemos considerar boa notícia) e 4 minutos falando de 3 rapazes de classe média, que roubaram artigos de luxo em uma loja em Vitória (mais más notícias). Agora imaginem só, se a Sandra Anemberg fala que a Gripe Suína foi identificada como sendo de baixa virulência, acabou a notícia em 30 segundos, no máximo 1 minuto se explicar qual a origem da notícia!

Haja paciência!

A parte do post que está abaixo, eu reproduzi (copiei) do blog que tanto admiro, O Brasil Que Dá Certo do Stephen Kanitz.

Kanitz é um americano, brasilianista, que veio para cá, estudar in-loco este pais cheio de oportunidades e idiosincrasias, e nunca mais voltou.

Inicialmente conheci o Stephen Kanitz através de seus excelentes artigos, depois assiti várias apresentações feitas por ele em seminários e workshops, depois tive a honra de ser palestrante em dois ou três seminários em que ele foi palestrante também, quando tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente e bater papos agradáveis com ele. Me lembro bem de um seminário da ASUG no Hotel Transamérica em SP, em que falamos de várias coisas, e descobrimos nossa paixão comum pela vela. Depois disso tive a oportunidade de cruzar algumas vezes com ele na Represa da Guarapiranga. Ele no seu Marreco e eu no meu Ranger. Kanitz, intelectual, excepcional comentarista e colunista, otimista por excelência, escritor que não cansa e ainda por cima velejador. Não tem como não gostar do cara.

Ah! O Jack Stripador está lá no fim do texto do Kanitz. Boa leitura!

Gripe é de Baixa Virulência- Lavem Suas Mãos

Estudos preliminares mostram que esta gripe tem uma taxa de infecção, denominada de Ro, extremamente baixa -- de 1,16.

100 pessoas infectam 116 pessoas novas a cada ciclo do vírus. Isso é quase insustentável para o vírus.

Se cair abaixo de Ro = 0,99, o vírus lentamente se extingue (98, 97, 96 etc.). Ro = 2 é o que economistas e matemáticos chamam de crescimento exponencial.

A gripe espanhola era de 3,14. Era, portanto, explosiva. Tivemos muita sorte.

Bastaria todos lavarem as mãos frequentemente para baixar o Ro de 1,16 para 0,99. MAS ESTE Ro foi aferido por um estudo preliminar e pode mudar ao longo do tempo. Portanto, confiram este dado aqui de tempos em tempos.

Espalhem esta análise do BQDC, porque jornais como o Star e Sun estão espalhando pânico na Inglaterra dizendo que 750.000 pessoas poderiam morrer só na Inglaterra.

Clóvis Rossi, da Folha , revela somente hoje que o Jack O Estripador foi uma invenção da imprensa inglesa para poder vender mais jornal. O mesmo Star viu sua circulação crescer para 232 mil cópias, semeando pânico entre as mulheres inglesas em 1888. Foi com o lucro deste período que ele pôde sobreviver até 2009.

Leiam na Folha "Jack e a gripe suína" e depois parem de ler jornais enquanto esta gripe durar.

Leiam:

Weak virus

If the new virus spreads from one infected person to the next at about the same speed as ordinary flu, that gives an idea of how many cases there may have been in that time. A mathematical model permits the calculation of an important variable called R0 – the number of additional people infected, on average, by each case. If R0 is less than one, an infection dies out.

Grassly also cautions that the estimate is very preliminary. But with the data available now, he gets an R0 of 1.16 – enough for the virus to keep going, but only just.


First genetic analysis of swine flu reveals potency - health - 01 May 2009 - New Scientist.

This item is from "O Brasil Que Dá Certo"

Fotos:
1, 2 e 3 - Ruinas Maias de Tulúm, ao sul de Cancún - estes reis maias sabian escolher bem o lugar para morar! Estas fotos foram tiradas com aquelas câmeras automáticas da Kodak, que eram vendidas nos hotéis, não sei como saiu algo aproveitável. (2001)
4 - Sítio arqueológico de Teotihuacán, perto da Cidade do México. Esta é a Pirâmide do Sol, a 3a maior pirâmide do mundo. (1988)
5- Templo de Quetzalcoatl, o deus Serpente Emplumada, que deu o milho à humanidade, o inventor do calendário e dos livros, ou seja, deu também o conhecimento à humanidade. Também fica em Teotihuacán. (1988)
6 - Pintura milenar em uma das câmaras do Templo de Quetzalcoatl em Teotihuacán. (1988)
7 - NY - Estátua da Liberdade, Maria Emilia, Giuliano, Gustavo e Gabriel. (2003)
8 - NY - Bronx Zoo. Gustavo e Gabriel. (2004)