sábado, 23 de maio de 2009

Após o cargo de CxO



Este post ficou transitando entre edição e rascunho por várias semanas. Mas depois de várias reuniões na DBM, resolvi publicá-lo porque percebí que o assunto é frequentemente discutido.

Faz algumas semanas que vi no Linkedin um tópico colocado para discussão por um prestador de serviços, mencionando uma grande transformação observada nos ex-CEO/COO/CFO/CIO/CTO/CSO/etc., e que imediamente após perderem o cargo, passavam a ser altamente acessíveis, ligando para os outros, tendo disponibilidade para almoçar, tomara café, etc, ao passo que eram quase inacessíveis enquanto estavam em suas antigas posições, com secretárias que funcionavam quase como firewalls intrasponíveis.

Como eu sempre acho que exisem dois lados de uma mesma moeda, é importante também mencionar, que é notável que aquelas pessoas que ligavam sem cessar, e que muitas vezes paravam na secretária, desaparecem como que por encanto com suas ofertas, pedidos de visita, convites para atividades das mais variadas naturezas, pedidos de referência para outras empresas, etc.

Para entender um pouco melhor, devemos revisitar algumas verdades imutáveis da vida, seja corporativa ou pessoal:

  • Todos estão trabalhando para obter o melhor resultado para suas empresas, baseados na cultura, valores e planos que norteiam as ações das mesmas.
  • Todos trabalham norteados por suas próprias crenças, valores e, principalmente, caráter, visando obter os melhores desempenhos nas suas empresas.
  • O dia só tem 24 hs, portanto as 8, 10, 12, 14 ou 16 hs de trabalho requerem foco.
  • No mundo empresarial existe um constante processo de trocas, de várias naturezas: serviços X cumprimento de metas e objetivos de compradores, viabilizando bônus anuais; compras X cumprimento de cotas que levam vendedores ao Havai ou a outros prêmios e comissões; abertura de portas para dar referências ou fazer benchmark X a troca de experiências ou futuras visitas de benchmark; conversas, almoços, jantares, congressos e outros eventos X abertura de portas para futuras oportunidades ou concretização das atuais; favores X favores, como ocorre nos casos mais obtusos e esquisitos que vemos por ai; e assim por diante.
  • Só é possível colher o que se plantou.
  • A roda da fortuna não para de girar, não importa a velocidade, mas uma hora está em cima, outra hora está embaixo.
  • Graças a Deus existem exceções para esta visão estritamente de interesses! Não importa o momento ou quantas pessoas você tem nos seus contatos ou na suas redes do Linkedin e Plaxo. Existem aquelas 5, 10 ou 15 pessoas, com os quais você trabalhou, fez negócios, estudou, conheceu no congresso, etc. e que por razões quase desconhecidas, existe uma admiração mútua e respeito, e acabam por tornar-se amigos, uma daquelas pessoas que você pode ligar até no meio da noite para pedir ajuda, desabafar, ou para conversar. Estas pessoas e você estarão sempre com as portas abertas uns para os outros. O contato com estas pessoas nem sempre é frequente, mas sempre existe, e naquele período de "férias por conta própria" um lembra do outro ao fazer uma indicação para uma posição, se ligam para saber como andam as coisas e se preocupam um com os outros. Se você ainda não fez, identifique quem são os seus 5, 10, ou 15 amigos, e fale com eles, só não vale incluir na lista pais, irmãos e parentes próximos.
Alguém comentou comigo outro dia, que por parte do ex-CxO, isto pode ser choradeira, pois o indivíduo perdeu o poder, deixou de ser o foco das atenções. Talvez aconteça, mas não creio que seja a regra.

É certo que este assunto não é simples e existem várias outras perspectivas, razões, explicações e justificativas. Seria muito interessante ter a opinião de vocês que tem a paciência de ler o que eu escrevo aqui. Por favor comentem!

Fotos (clique para ver em tamanho grande):

Os dias do mês de Maio, assim como dos outros meses de Outono (e algumas vezes os da Primavera) tem uma luminosidade toda especial, trazendo oportunidades únicas para tirar fotografias com cores, sombras e reflexos inigualáveis.

1 - Amanhecer de um dia de Maio de 2008 com neblina em Porto Alegre.

2 - Fim de tarde em Maio de 2006, às margens do Guaíba em Porto Alegre, foto do farol do Veleiros do Sul e do meu antigo barco, tirada por minha esposa Maria Emilia

2 comentários:

  1. OI Varela
    Essa semana recebi meu visto de permanencia no Canada, depois de quase um ano sem trabalhar. Eu sempre amei trabalhar e nunca imaginei minha vida sem essa rotina. Mas quero dividir que eu apreendi muito nesse ano de auto-conhecimento. A vida corporativa eh otima, e se aprende muito diariamente. Mas se apreende muito sobre os outros, sobre o mercado, sobre os relacionamentos ( que voce mencionou), sobre a empresa. On the other hand, se aprende pouco sobre voce mesmo. For instance, quando eu estava trbalhando no ambiente competitivo, eu nao tinha tempo para reflexao sobre minha vida pessoal, sobre quem eram as pessoas importantes na minha vida, sobre o que eu gostava de fazer, sobre ate que o tempo passa, sobre que a gente envelhece tambem :), etc...Entao esse meu ano de reflexao me mostrou muita coisa que estava escondida no meu coracao. Minha experiencia, nao tem a intensidade de um ex-CXO, mas e autentica. E com certeza me fara uma profissional mais madura, e capaz de tomar decisoes conscientes da complexidade da vida. Acho que todo mundo deveria ter essa experiencia, dolorosa muitas vezes, de se afastar um pouco da rotina corporativa para ganhar uma nova perspectiva. Por isso acho essa tua reflexao super valida (e com certeza nao e choradeira) e eu entendo muito a importancia disso e com certeza tera um efeito positivo na tua vida profissional. Te desejo muito sucesso! Obrigada tb por dividir.
    Abracos
    Fernanda

    ResponderExcluir
  2. Olá Fernanda,

    Antes de mais nada parabéns por ter recebido o visto de permanência no Canadá. Grande país (em vários sentidos), onde as oportunidades são imensas. Sucesso por ai!

    Depois quero te pedir desculpas por falhar em uma das leis fundamentais de um blogger: nunca deixar um comentário sem resposta ou não ficar atento ao recebimento de comentários.

    Teu feedback é fantástico, pois é exatamente isto que estou sentindo depois de 12 meses sem trabalho. Com certeza, fora daquela roda viva que estou desde os 19 anos, quando tive meu primeiro trabalho na Varig, aprendi mais sobre mim e sobre quem me cerca do que nos outros 51 anos de minha vida!

    Esta semana irei publicar um post sobre este 12 meses, e você está convidada a dar uma olhada e fazer seus comentários.

    Um grande abraço e volte sempre,

    Carlos A Varela

    ResponderExcluir